quarta-feira, 26 de março de 2014

Um Skype nas nossas vidas


Depois de anos, minha mãe resolveu usar o Skype novamente.  Ela tem um cadastro junto com meu padrasto, mas queria justamente falar com ele. Então expliquei que ela teria que ter um novo cadastro; apenas dela. Assim, ela no Rio falaria com meu padrasto em Juiz de Fora. 

- Mãe, baixou o Skype, né?
- Sim…
- Então vamos lá. Por etapas. 
- Aqui tá assim: Vc já usou o skype? Marco que sim, né?
- Naaaaao! Claro que não! Você quer um login novo…
- Ah é? Pode mentir a vontade?! Então tá bem..... Nome do Skype?
- Coloca nancicherfen.
- Ahhhhh Marina.... Tem que ser esse?!
- Ué, mãe, você quer colocar o quê?!
- Ahhhh Marina.... Que saco.... Eu vou pensar.... Deixa eu pensar… Não quero esse. Meu nome e sobrenome. Que coisa sem graça!
- Ué, mãe?! Vc quer entrar desfarçada?! Não to entendendo...
- Você é uma chata. Tá bom: nancicherfen. E agora?
- Agora segue as instruções que ele te dá… 
- Ai que saco, gente... É nome de Skype, agora senha... Ó! Ele não tá aceitando a minha senha... Ah Meu Deus…

Eu só consegui rir. 

- Marina, chega, tá? 
- Mãe, eu não fiz nada!!!!
- Chega, chega, chega. 
- Mãe, EU vou fazer um cadastro pra vc e te falo. Pronto.
- Tá, tchau. E bateu com telefone. Irritada. 

Liguei 5 minutos depois:

- Pronto. Login feito. Nancicherfen e senha tal. 
- Saco…. Deixa que EU entro e EU configuro. 
- OK, mãe…
- Te ligo pelo Skype quando terminar. Fica online…
- Ok, mãe.

Depois de mais uns 5 minutos, o Skype toca.

- Oi, mãaaaae!
- ALÔ…..
A voz que falava do outro lado era grossa, muito grossa. 

- Mãe? 
- Oi, Marina…. Fala!
- Mãe, é você? 

Eu estava realmente assustada. 

- Marina, para de palhaçada…. Sou eu, pô!

Eu ria tanto, que não consegui falar mais uma palavra. Ela ficou irritadíssima. 

- Marina, vou desligar. Que palhaçada…
- Mãe, sua voz tá grossa… tipo de homem…
- Ah Marina… Não vem de palhaçada…..
- Mãe, juro! Sleyman pode confirmar aqui.
- Tá sim, Nanci. - Rindo muito.
- Ahhhh Sleyman, agora você resolveu entrar na da Marina…?

Eu mal conseguia falar, porque era a minha mãe com a voz de um homem. 
Implorei pra ela cantar “Batatinha quando nasce” pra eu gravar a voz grossa e ela ouvir depois.
Ela irritadíssima cantou. E no final disse: “….e a Marina quando começa é um sacão.”

Liguei, mostrei pra ela. Ela ainda achou que era armação minha. Só depois que falou com meu padrasto que acreditou. E ainda disse que EU tinha feito aquilo.

Até hoje não usamos mais o Skype. Eu ia colocar a gravação aqui no blog, mas ela me fez jurar que não faria isso. Então,  vocês terão que ficar apenas com a imaginação… Mas podem imaginar algo muito engraçado. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Bora no Subway!

Em 2010 eu e minha grande amiga/irmã, Priscila Neves, viajamos para Nova Iorque. Uma amiga nossa estava morando lá e resolvemos visitar ela e a cidade. 

Viajar com amigos é uma das coisas mais prazerosas do mundo. Mas é importante viajar com alguém compatível com você. Minha avó sempre falava que você vê se a pessoa combina com você quando você viaja com ela. Eu e Priscila já sabíamos que a gente combinava. Somos amigas desde os 7 anos, e Priscila é uma irmã.
NY é um sonho. Eu amo aquela cidade. Lá acontece de tudo, e nada é incomum. Pessoas de todos os tipos convivem de forma tão caótica, que chega a ficar harmônica. NY é harmoniosamente caótica. E, dentro do seu caos, ela funciona bem.

A viagem foi maravilhosa. Passeamos, fizemos piquenique no Central Park, fomos a museus e, claro, compramos muito. Nova Iorque é uma cidade super democrática nesse ponto; permite que você faça todos os tipo de programa. Mas claro, duas amigas juntas em NY, um dos principais focos era compras. 

A gente andava, andava, andava. O dia inteiro. Era metrô e pé no chão. Geralmente a gente saía pra jantar com nossa amiga que morava lá. À noite, era sempre um lugar bacaninha, indicado pela nossa amiga, que conhece NY como a palma da mão. 

De dia, a gente almoçava onde desse. Algumas vezes, acabávamos comendo um sanduíche no Subway. Barato, gostosinho e rápido. Sim, em NY, tempo é dinheiro. No caso, menos dinheiro. Mas faz parte.

Pri tinha vergonha de falar inglês lá. Bobeira, porque falava bem e todo mundo entendia. Mas, vergonha é algo que não se resolve com argumentos. Então, quando ela queria saber algo, ela pedia pra eu perguntar. Isso rolou até o quarto dia. Depois, ela viu que era bobeira e começou a mandar ver no inglês. 

Num dos vários dias que fomos a Victoria Secret’s, optamos por falar inglês entre si. Por quê? Olha, eu achava que era exagero. Mas não é. As brasileiras são hilárias quando estão na Victoria Secrets. Elas vêem aqueles cremes que no Brasil custam 70 reais por 20 dólares 3 unidades, e PIRAM. Grita, chama a mãe, as amigas…. Tudo num decibéis altíssimo. Aí sim, uma coisa digna de vergonha. Vergonha alheira, ainda bem.
Eu e Pri também ficamos super empolgadas, mas mantivemos a calma e falávamos em inglês. 

Chegou a hora de pagar. Eu tinha feito aquele cartão Visa pré pago, e não quis habilitar o cartão de crédito porque achava que o dinheiro do débito era mais que suficiente. 

Cheguei no caixa, passei todas as minhas coisas e dei o cartão pro funcionário da loja. Ele passou e me pediu a senha:

- Please, password.

Digitei, dei ok e continuei meu papo com a Priscila. 

- Lady, the card was declined.
- What….?
- You don’t have credit enough.
- Sorry…. What…?

Depois da quarta sequência de perguntas e respostas desse tipo, Priscila se irritou:

- Chê!!! Você não entendeu?! Tá sem crédito!!!!!

Na hora me bateu um desespero gigante. Falei que não ia levar metade das coisas, mas Priscila me convenceu a levar e analisar a situação em casa. Eu paguei com o resto de dinheiro que eu levei na mão, e fomos embora.

Saímos da loja mudas. Ela também teve um choque ao ver sua situação do cartão. Mas ela estava com cartão de crédito, que te dá aquela pseudo sensação de controle. Seu dinheiro não acaba. 

- Chê, não fica assim…. Eu também tô mal de cabeça… 
- Priscila, eu trouxe esse dinheiro pra 11 dias de viagem. Como acaba no quarto? Gente, meu Deus, meu pai vai morrer de desgosto…

Nós duas ficamos super mal de cabeça. Chegamos a pensar em adiantar o vôo de volta para resolver aquela questão. Nem quisemos sair pra jantar fora. Lanchamos com coisas que tínhamos comprado no mercado. 

A gente tinha comprado um cartão para ligar pro Brasil. A gente usava, usava e o cartão não acabava. Acho que ele não tinha fim porque saímos e deixamos muito crédito pra nossa amiga lá. 

Nesse dia do choque de compras, eu resolvi ligar pro meu pai. Sabia que a probabilidade de eu ouvir uma repreensão era imensa, mas eu queria falar com ele. Parecia que eu tinha traído meu pai… 
Eu tinha ido a NY com meu pai em 2000. Lembro exatamente que levei 1.000 dólares e voltei com 400. Não sei como, mas lembro bem disso. De repente, eu estava de novo naquela cidade e, no quarto dia, eu tinha exterminado muito mais que os 1.000 dólares que eu tinha levado
Respirei fundo e liguei. Pasmem vocês, meu pai conseguiu me convencer a ficar todos os dias planejados, e a relaxar.

- A gente trabalha pra isso, minha filha. Quando voltar, você vê como resolve. 

Certamente ele me falou isso com certo incômodo. Meu pai é sociólogo, de esquerda, totalmente averso a essa consumismo de hoje. Mas, ele foi um paizão. Me ajudou psicologicamente quando precisei. As palavras dele, sem dúvida nenhuma, me fizem mais sentido que 10 sessões de terapia. 

Quando desliguei com ele, eu era outra pessoa. Eu e Pri sentamos e traçamos um “plano” pensando em aproveitar mais a cidade e comprar menos. E é, claro, os almoços agora só no Subway. 

No dia seguinte, fomos ao MOMA (que é o museu que mais curto em NY) e no Empire State. Tava bem frio, apesar de ser Maio. Os dias oscilavam bastante entre calor e friozinho. Esse foi o dia mais frio que pegamos lá. 

Pois bem, descemos do Empire State loucas de fome, querendo achar um Subway pra comer. Por uma questão de logística, resolvemos ir pro Time Square. A gente comeria e depois ficaríamos por alí. Acho que era dia do “Mamma Mia”. 

Pegamos o metrô com destino ao Time Square. Estava tudo planejado na nossa cabeça: “Vamos comer naquele Subway lindinho que tem lá, e depois vamos pro musical”. 

A gente tinha visto esse Subway quando estávamos chegando a NY, no táxi que nos levou do aeroporto a casa da nossa amiga. Toda a iluminação e o tamanho da lanchonete chamou a nossa atenção. E, como em alguns dias íamos a Subways bem “pobrezinhos”, a gente foi todas animadas pra lá!

- Vamos comer sanduíche mas pelo o menos num lugar mais legal!

Chegamos. Ficamos procurando o subway desesperadamente. A fome era imensa, e a pressa grande.
Olhávamos, procurávamos, andávamos e, nada. 

- Cara, foi aqui que a gente viu, não foi, Pri?
- Foi. Tenho certeza. Sou boa nisso.

Essa afirmação da Priscila é totalmente discutível, mas isso fica pra um próximo post. Esse já está ficando grande demais.

- Ué, gente… Cadê????

De repente, eu olho pra um lado que ainda não tinha “explorado” e vi: SUBWAY. Bem grande. Todo aceso! Luzes piscando! Lindo!

- Láaaaaaaa, Pri!!! 
- Aiiii que bom! É lá mesmo. Vamos!

A gente estava um pouco longe. Fomos andando, conversando, até que chegamos a uns 50 metros da lanchonete. Ou melhor…

Enfim, estávamos lá. Bastava o sinal de pedestres abrir para atravessarmos a rua, e matarmos quem estava nos matando. #soquenao

Ficamos paralisadas olhando a fachada do Subway durante uns 2 minutos. Sem uma única palavra. 

Eu olhei pra Priscila, Priscila olhou pra mim, e caímos numa gargalhada sem fim. Daquelas que dói a barriga.

O nosso lindo e esperado Subway era a estação de metrô do Times Square!!!!!!!

Maldito lugar que faz uma lanchonete com nome de metrô. Ficamos ali, morrendo de rir por mais uns 10 minutos. A gente parava, olhava pro painel SUBWAY iluminado, e caía na gargalhada. Até hoje essa história rende boas gargalhas. 

Priscila teve vergonha dessa história até poucos tempo atrás, quando entendeu que certas situações precisam ser compartilhadas. É de utilidade pública.
Acabamos indo numa rua lateral do Times Square, e comendo no pior Subway da viagem toda. Mas, era tanta gargalhada, que nem ligamos pro lugar. 

Ahhhhh que saudade dessa viagem, amiga.

Foto em homenagem a Pri, tirada quando eu voltei a NY em 2012. 

terça-feira, 11 de março de 2014

Caralh...inho!

Hoje o post é sobre mim.... Vou dar um descanso (breve) para meus pais...

Pois bem, quando eu tinha 5 anos, fui almoçar com meu pai ali no Baixo Gávea. A gente morava no bairro, mais lá pra cima, e vivíamos ali pelo BG...

Eu não lembro se o Braseiro era o Braseiro, se o Hipódromo era o Hipódromo, mas estávamos sempre por ali. 

Era um domingo e eu sentei pra almoçar com o meu pai. Cena super normal prum dia de família, onde a maioria das mesas tinham pais e crianças.

- Boa tarde. O que vocês vão querer pedir?
- Hum.... Um bife acebolado, arroz, batata frita.... 

Meu pai sempre pedia bife acebolado. Até hoje quando a gente vai a esse tipo de bar é a pedida dele. AMA. E eu amo por tabela...

Mas aquele dia, eu queria outra coisa:
- Marina, e você, vai comer com o papai? 
- Não........
O garçom, fofo, perguntou:
- O que você vai querer, gatinha?
- Bife com caralhinho.

Ooooooooi?! Sim, é isso mesmo que você leu: CARALHINHO!

Meu pai, totalmente sem saber o que dizer...
- Marina, minha filha.... O que é isso?
- Bife com caralhinho, bife com caralhinho.
E esbocei um choro de quem não estava sendo compreendida. 

Acho que foi uma das únicas vezes que vi meu pai sem graça. 
O garçom olhava pra ele..... Ele olhava pra mim... e eu só repetia: 

- Bife com caralhinho.
- Mas, minha filha, o que é isso? Papai não está entendendo.....

Claro, eu não sabia explicar. Pra mim estava claríssimo... Como eles não estavam entendendo?!

- Minha filha, papai não sabe o que é isso....
- O senhor não sabe mesmo, senhor?
- Não, meu amigo.... Nem imagino.... Nem sei daonde ela tirou isso...

Eis que me passa uma travessa com um bifão acebolado cheio de alho frito.... 

- CARALHINHOOOOOOOOO...
Eu apontei gritando, feliz e batendo palma.
- Minha filha! Isso é alho frito! Quem te disse que era caralinho?!
- É caralhinho, pai! É ca-ra-lhi-nho.

O garçom olhou pro meu pai, me olhou e anotou no papel o pedido. Sabe-se lá como ele anotou.... Mas veio certo.

Antes de sair, ele olhou pro meu pai e perguntou:
- Quantos anos ela tem? 
- Cinco.
- É, meu senhor, se está assim nessa idade, imagina quando crescer?!?

Sem dizer uma palavra, meu pai me pegou pela mão e fomos embora. 
A coisa que um pai de menina mais odeia é pensar na sua filhinha na vida adulta, com todos as vivências que o crescer propicia.  

Até hoje eu frequento o Baixo Gávea. Sempre que estou por lá, fico pensando se é possível o garçom ainda trabalhar ali... E se ele seria capaz de me reconhecer... Creio e espero que não. Sinceramente.

Eu e papai no apartamento da Gávea. Eu aos 5 anos.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Ela e a flor.

Você resolve mandar entregar um arranjo de flor surpresa pra sua mãe. Encomenda pela internet... Escreve um cartão… 

A entrega era pra dois dias depois, porque pro dia seguinte não dava mais. Tudo bem, não existia um motivo em si. Apenas uma filha tentando agradar a mãe à distância.

Passou o dia da entrega, e no dia seguinte, me toquei que não houve UM comentário sobre o assunto. Resolvi aguardar um pouco mais. 

Dá um tempo e o celular toca:
- Marina, você não acredita…
- O que, mãe?!
- Eu te contei que coloquei Claro fixo aqui, né? 
- Aham, disse. Mas ainda iam entregar o aparelho. Entregaram?
- Que nada…. Sabe o que eles fizeram? Me mandaram uma flor!!!!! Já viu, né? Nada de aparelho e flor…. 
- Como assim, mãe? 
- Ué, Marina, é isso! Nada de aparelho e uma flor…. Deve ser de boas vindas, sei lá. O aparelho deve estar em falta.... Já viu, né? Toma flor, toma flor...
- Mãe, mas deve ter um cartão…. Ou uma carta da Claro. Eles não iam mandar uma flor assim…
- Ué, Marina, a flor ta aqui! Você acha que é o que?
- Mãe, lê o cartão! Olha, não acredito…….

Depois de uns 3 minutos…

- Ahhhhhhh minha filha, foi você!!!!!!
- Foi, mãe. Não foi a Claro. 
- Ahhhhhhh minha filha……

Falamos mais sobre alguns assuntos rotineiros, e desligamos. Dá 15 minutos e recebo duas fotos no meu celular. Ela e a flor. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Pedro e o anjos

Na última vez que estive no Rio, passei para pegar meus dois irmãos para tomar um sorvete. Minha mãe estava comigo. Ela adora ficar com meus irmãos quando está no Rio.


Resolvemos ir ao Rio Sul. Eu estava devendo um presente ao Pedro, e queria quitar esse job. 
Busquei os dois no Jardim Botânico e peguei a General Polidoro. Passamos na frente do cemitério São João Batista....

- Ihhhh olha um cemitério..! Disse o Pedro.
- Cadê...?? Julia olhou meio assustada....
- Alí ó! 

Eu e minha mãe ficamos quietas... Eu particularmente sempre tive medo de cemitério. E até hoje posso falar que não é um lugar que eu goste. Quem gosta, né? Acho que é um momento delicado, quando o ser humano fica cara a cara com a morte, mas sabe que não é a vez dele. 

Tentei ir o mais rápido possível para o cemitério ficar pra trás e evitarmos qualquer sentimento mais assustador. Mas então....

- Aí só tem anjo, né, Nanci?                    

Olhei pra cara da minha mãe e esbocei uma reação. Eu ia falar pro Pedro que não era bem assim, que ali tinham vários tipos de pessoas enterradas..... Mas achei melhor ficar na minha. Enquanto meu irmão puder achar que o mundo é feito de pessoas que viram anjos quando morrem, ele será mais feliz. 

Minha mãe percebeu minha mudança de atitude e riu....

- É, Pedro....Só anjos.



domingo, 9 de fevereiro de 2014

Gira, Perde e (Sor) Ri.

Era uma tarde de sábado quando resolvemos almoçar na Tijuca. O destino era o Rei do Bacalhau, na minha íntima Praça do Bodinho (Praça Xavier de Brito). Cresci indo ali e andando de bode... Sim, BODE. Hoje não vejo mais bode lá... Só tem cavalinho e cavalão. 

Pois então, marcamos de encontrar meu marido, minha sogra e meu sogro no restaurante. Eu fui de carro com a minha mãe. Eu dirigindo, claro. Ela sempre dirigiu, mas a carteira venceu faz tempo. E a minha chegou em Novembro. 

- Peraí, mãe, vou colocar o endereço no Wase.- Onde, Marina?- No Wase, mãe, é um aplicativo no celular que mostra o melhor caminho para o destino.- Como o melhor caminho?- Ué, ele pega dicas das pessoas e monta o caminho mais rápido pra se chegar a um lugar.- É mesmo, minha filha? Ah meu Deus...- É, mãe! Ó! Olha como ele vai guiando a gente. Segura o celular aqui pra me ajudar.- Tá.

E lá fomos nós três: eu, ela e a vozinha do Waze. 
- Ele fala é?? Ela, né? - Era uma voz feminina.- Você pode configurar pra falar...- Ah meu Deus... Que modernidade... No meu tempo não tinha isso não. A gente tinha que se virar...- É, eu sei. Devia ser horrível se perder, né?- Nossa, terrível...Wase: - Vire na próxima direita e depois na próxima esquerda.- Marina.... A mulher fala mesmo, né?- Aham...

Chegamos a uma rua que estava fechada. - Ihhhhhhhh, Marina, e agora?!?!?!- Calma, mãe, a gente vira aqui e ela recalcula.- É???????- Aham....

Como previsto, a partir do¨suposto¨ erro, o GPS automaticamente recalculou a rota- Gente....... Marina....!!

E seguimos. Com as dicas do Wase, ou da mulher que sabe tudo, como ela bem disse.
- Ela disse pra virar, ó...- Eu ouvi, mãe...- Vem cá, Marina, quando você tá sozinha, esse celular fica aonde, hein? - Aqui ó. Mostrei um lugarzinho ótimo pra apoiar o celular no carro.- Ah sei.... Olha lá, hein?!

E continuamos..... 
De repente, silêncio. E uma bifurcação. 

- Ué, e agora, Marina?- Calma, mãe, não sei.....

E o carro de trás deu uma buzinadinha.- Ahhhhh desgraçada.... E agora, hein? E agora? Pra onde a gente tem que ir?

Já rindo:- Calma, mãe.- Essa miserável veio falando coisas óbvias de Ipanema até aqui, agora quando a gente precisa ela fica calada? Palhaça!- Calma, mãe, você está me desconcentrando...- Vira pra direita, quando só se tem a direita pra virar. Se mantenha a esquerda, quando a direita vira contramão... Ahhhh, faça-me o favor, né? Isso aqui é um gira gira, se perde e ela ri ! Olha o bonequinho como ri....- Mãe...- Segue, Marina, segue. 


Depois de 5 minutos chegamos ao Rei do Bacalhau. Ela, irritadíssima com o GPS, mas concedendo algum ganho à tecnologia.



terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Clarice, Papai, China e Facebook.

Minha irmã viajou para Hong Kong para encontrar o namorado. A família naquela ansiedade há meses, vendo o que ela precisaria levar, decisões a tomar, vacinas obrigatórias... Dá trabalho ir pra China, viu?!

Clarice partiu numa segunda à noite. Voou 13h para a Etiópia, esperou 3h no aeroporto e pegou outro avião pra Hong Kong. Mais 10h de vôo…. O amor é lindo! <3

Teresa, mãe da Cla, levou ela no aeroporto com uma amiga. Eu fiquei pelo whatsapp dando um alô e tentando fazer a espera chata passar mais rápido. Meu pai ficou em casa com meus irmãos e a mulher, com notícias periódicas pelo celular.
Quando ela efetivamente embarcou, ligamos e avisamos a ele. 

- Pai, Clarice já foi. Vai dar notícias quando chegar. A gente te avisa.
- Ela vai ligar de lá? Ou levou o facebook?
- Oi…. pai….?!
- Ela levou o facebook pra China na mala?
- Pai…. Facebook é um programa virtual… Ninguém leva ele pra nenhum lugar. Ele simplesmente está lá.
- Tá AONDE?
- Ué… Na nuvem! É como se fosse um computador imenso, mas que não é físico.
- Ah… é?
- Aham! A Clarice acessa o facebook por um site e se loga. Pronto.
- Moderno, né?
- É, pai…. Tipo seu email do hotmail. Tá no mundo virtual.
- Entendi. Ou acho que entendi. Mas, bem, ela vai dar notícias, né? Vocês me falam….
- Com certeza, pai. Beijo!

Clarice chegou exausta mas inteira. Ele foi avisado e não fez mais nenhuma pergunta. Acho que nem ousaria... 
Vida que segue.