Fazer aniversário é como reveillon. Mas um reveillon particular, onde o ano muda só pra você. A gente revê as escolhas, a forma de agir, a forma de pensar, como queremos ser daqui pra frente. Muitas coisas viram passado, outras viram planos e várias viram presente.
A cada ano que passa, eu dou mais valor às coisas verdadeiras da vida: pessoas, sentimentos, solidariedade, honestidade, realidade… E vou deixando pra trás o que entendi que não agrega.
O amadurecimento vem com os anos que passam, junto com cada uma das pedras que aparecem no meio do nosso caminho. Parafraseando nosso Cazuza: Com o tempo você aprende a cair com classe e a se levantar com orgulho.
Enfim, meu ano novo começa hoje.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
domingo, 11 de maio de 2014
Eu e ela. Ela e eu.
Mãe. A palavra que tem mais significados no mundo. Não concordam?
Na maior parte do tempo a gente ama. Mas quem nunca “odiou” a mãe? Quem nunca disse: “você é um saco” e desejou que ela sumisse?! Vamos ser honestos; todos. Mas se existe uma pessoa que a gente mais deseja no mundo quando estamos tristes, pra baixo, deprimidos é ela, nossa mãe.
Eu moro longe da minha. Ela foi pra Juiz de Fora e eu fiquei no Rio. Doeu mais que o corte do cordão umbilical quando eu nasci. Não que eu lembre, mas justamente por isso posso afirmar que foi.
Esse corte foi sentido na carne por mim e por ela. Depois de 22 anos juntas, ela saiu de casa. Geralmente são os filhos que saem de casa, né? Mas no meu caso foi a minha mãe que saiu. Doeu…. E muito, viu?
Morei sozinha na casa que era da minha mãe. Eu sentia muita saudade dela todos os dias; principalmente quando eu voltava do trabalho e não ouvia tão normal: o "Oi, filha. Como foi?". O primeiro mês da separação foi regado à saudade e à lágrima.
Mas, como tudo na vida, passa. E o que não mata, fortalece, né? Foram 7 anos que mudaram a minha vida.
A verdade é que ter mãe sempre perto torna a a vida dos filhos muito mais fácil. Quando eu saía com minhas amigas que moram com os pais, eu via como era mais fácil ter pai e mãe por perto. Quando você mora sozinha, tudo depende de você. Se esquecer de pagar as contas, paga juros. Se sujar e não limpar, fica sujo. Se não passar, fica amassado. Se não for ao mercado, fica com fome. Se não fizer comida, come merda. As vantagens de ter mãe por perto vão muito além do prazer de ter a mãe por perto. Sua vida fica mais fácil e, por mais que você reclame, presença de mãe é um afago diário, quem muitas vezes nem é efetivamente dado.
Mais tarde, aos 29 anos, eu que me mudei. Ela em Juiz de Fora e eu em São Paulo. A distância gráfica aumentou, e a saudade ainda mais. Antes, eu tava no apartamento que ela morava. Tinha um pouco dela ali. O jeito dela, as coisas dela, o cheiro dela… Porque cheiro é uma coisa que fica entranhado, né? Ou nas coisas ou na memória. A minha casa no Rio tinha o cheirinho da minha mãe. Então, de certa forma, eu ainda morava com ela.
No momento que vim pra São Paulo, o resquício de cordão foi totalmente cortado. Por mais adulta que eu fosse no Rio, em São Paulo eu me tornei uma adulta sênior.
Quando você sai da sua cidade, tudo realmente vira sua responsabilidade, inclusive entender o novo lugar que você mora. Não é fácil. Mas é interessante, e sem dúvida nenhuma, vale a pena.
Depois disso tudo, eu entendi que os filhos nascem para se separar das mães, de verdade. Parece uma afirmação clichê e fria, mas de nada é. Essa separação é física, e quanto maior for, mais próximo você volta a ficar dela.
Continuo sentindo falta da minha mãe. Todos os dias. Mas a forma mudou. Não que lágrimas não caiam mais, mas não caem mais da mesma forma. Estando longe, a gente aprende que, praonde a gente for, ou praonde ela for, a gente vai estar pra sempre juntas. Simplesmente porque ela mora dentro da gente, e a gente mora dentro delas.
Te amo, mãe.
Na maior parte do tempo a gente ama. Mas quem nunca “odiou” a mãe? Quem nunca disse: “você é um saco” e desejou que ela sumisse?! Vamos ser honestos; todos. Mas se existe uma pessoa que a gente mais deseja no mundo quando estamos tristes, pra baixo, deprimidos é ela, nossa mãe.
Eu moro longe da minha. Ela foi pra Juiz de Fora e eu fiquei no Rio. Doeu mais que o corte do cordão umbilical quando eu nasci. Não que eu lembre, mas justamente por isso posso afirmar que foi.
Esse corte foi sentido na carne por mim e por ela. Depois de 22 anos juntas, ela saiu de casa. Geralmente são os filhos que saem de casa, né? Mas no meu caso foi a minha mãe que saiu. Doeu…. E muito, viu?
Morei sozinha na casa que era da minha mãe. Eu sentia muita saudade dela todos os dias; principalmente quando eu voltava do trabalho e não ouvia tão normal: o "Oi, filha. Como foi?". O primeiro mês da separação foi regado à saudade e à lágrima.
Mas, como tudo na vida, passa. E o que não mata, fortalece, né? Foram 7 anos que mudaram a minha vida.
A verdade é que ter mãe sempre perto torna a a vida dos filhos muito mais fácil. Quando eu saía com minhas amigas que moram com os pais, eu via como era mais fácil ter pai e mãe por perto. Quando você mora sozinha, tudo depende de você. Se esquecer de pagar as contas, paga juros. Se sujar e não limpar, fica sujo. Se não passar, fica amassado. Se não for ao mercado, fica com fome. Se não fizer comida, come merda. As vantagens de ter mãe por perto vão muito além do prazer de ter a mãe por perto. Sua vida fica mais fácil e, por mais que você reclame, presença de mãe é um afago diário, quem muitas vezes nem é efetivamente dado.
Mais tarde, aos 29 anos, eu que me mudei. Ela em Juiz de Fora e eu em São Paulo. A distância gráfica aumentou, e a saudade ainda mais. Antes, eu tava no apartamento que ela morava. Tinha um pouco dela ali. O jeito dela, as coisas dela, o cheiro dela… Porque cheiro é uma coisa que fica entranhado, né? Ou nas coisas ou na memória. A minha casa no Rio tinha o cheirinho da minha mãe. Então, de certa forma, eu ainda morava com ela.
No momento que vim pra São Paulo, o resquício de cordão foi totalmente cortado. Por mais adulta que eu fosse no Rio, em São Paulo eu me tornei uma adulta sênior.
Quando você sai da sua cidade, tudo realmente vira sua responsabilidade, inclusive entender o novo lugar que você mora. Não é fácil. Mas é interessante, e sem dúvida nenhuma, vale a pena.
Depois disso tudo, eu entendi que os filhos nascem para se separar das mães, de verdade. Parece uma afirmação clichê e fria, mas de nada é. Essa separação é física, e quanto maior for, mais próximo você volta a ficar dela.
Continuo sentindo falta da minha mãe. Todos os dias. Mas a forma mudou. Não que lágrimas não caiam mais, mas não caem mais da mesma forma. Estando longe, a gente aprende que, praonde a gente for, ou praonde ela for, a gente vai estar pra sempre juntas. Simplesmente porque ela mora dentro da gente, e a gente mora dentro delas.
Te amo, mãe.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Eu, meu pai e Kukulcán.
Minha primeira viagem para fora do Brasil foi com o meu pai. Eu tinha 14 anos. Ele me convidou para ir ao Peru e ao México e, claro, aceitei. Conheci Lima (que não gostei muito) e Matchu Pitchu (que adorei) e, depois, seguimos para a imensa Cidade do México.
Viajar com meu pai é incrível, já que ele é professor de História, Geografia e, também, é Guia Turístico. Passamos alguns dias na Cidade do México, revimos amigos do meu pai que lá moravam, e começamos a descer de trem para conhecer as cidadezinhas menores.
Ficávamos de 2 a 3 dias em cada uma delas e, depois, seguíamos viagem. Puebla, Oaxaca, Vera Cruz, Chiapas (onde ficamos uns 5 dias e rende mais um post com certeza), Mérida.... Já láaaa no sul do México, eu pedi ao meu pai para irmos a Cancún. Ele não gostou do pedido. Sempre disse que Cancún não era México, que não valia a pena, bla bla bla....
Mas, como um pai babão que é, acabou cedendo. Mas colocou uma condição: deveríamos conhecer os parques arqueológicos ao redor de Cancún também. Eu aceitei, claro. Eu sempre me interessei bastante por civilizações passadas, e uma viagem ao México tinha sido um pedido meu ao meu pai há alguns anos. México e Cuba. Lugares que ele já tinha ido algumas muitas vezes.
Mas é bem verdade que a nossa viagem tinha se resumido a ruínas até aquele momento. Quem lê isso assim pensa que eu era uma garota babaca e fútil. Mas eu não era. Além de adorar História, eu era uma menina de 14 anos, que estava começando a ser vaidosa, começando a sair à noite, virando adolescente. E Cancún, dentro do American Way of Life, me atraía.
Hoje, com 31 anos, eu queria ter muito dinheiro para visitar vários lugares do mundo. Certamente meu pai estaria na maior parte dessas viagens. Ele é um super companheiro de viagem. Em outras, ele seria exclusivamente pai, recebendo lembranças quando eu voltasse ao Brasil.
Fomos pra Cancún. E sendo justa, Cancún é linda. A água tem três cores: verde claro, azul claro e azul escuro. Uma coisa absurda de tão linda!
Tivemos alguns contratempos.... Meu pai odiava quando eu entrava em alguma loja. Achava tudo muito caro comparado ao peso mexicano. Eu implorava pra ele me esperar do lado de fora, mas ele teimava em entrar. E como em Cancún se fala inglês...
- Señorita, esto es México. El idioma es el español, no Inglés. (dizia ele)
Eu morria de vergonha, mas se eu pedisse pra ele não fazer essas coisas era pior.
Ele fazia mais ainda.
Ele fazia mais ainda.
Num dos últimos dias em Cancún, fomos ao Parque Arqueológico de Chichén Itzá, que era um dos mais distantes. Meu pai estava doido pra ir. Eu confesso
que, depois de uns 20 dias de viagem, eu queria mesmo era terminar a viagem no centro de
Cancún, vendo toda aquela galera da minha idade aproveitando o lado "fútil" da vida.
Foram umas 4 horas de viagem, acho. Sempre que chegávamos a um parque arqueológico,
a gente dava uma volta geral. Era como uma volta olímpica, de reconhecimento de campo.
Depois, voltávamos para os pontos que mais tinham nos interessado. A pirâmide que mais
nos chamou mais atenção foi a de Kukulcán. E lá estávamos diante dela.
- Pai, como podem os caras terem construído isso sem nenhum artificio que a gente tem hoje?
- É... Levavam anos e anos para uma pirâmide ser construída. Trabalho braçal mesmo.
Viajar com meu pai é como viajar com uma enciclopédia ambulante, só que bem melhor. Porque ele não fala só do que está diante de você, ele contextualiza, explica como era a sociedade que vivia ali, dá um panorama do mundo na época.
- Vamos subir, filha?
- Vamos, claro.
Eu sempre fui medrosa. Tenho medo até hoje desse tipo de aventura, mas sendo justa comigo, costumo enfrentá-los. Lembro sempre do meu avô falando: é normal ter medo.
Só não pode se paralisar por deles.
Só não pode se paralisar por deles.
Subimos com todo o cuidado, os degraus eram muito estreitos e a escadaria parecia não ter fim. Chegamos ao topo. Era a pirâmide mais alta. Dava pra ver todo o parque de Chichén Itzá. Lindo! Eu e meu pai. Só nos dois.
- Estranho, né, pai? Só tem a gente aqui em cima.
- Ahhh, as pessoas devem ter receio.... Fica tranquila que teve só uma menina que ficou presa aqui, mas um helicóptero tirou ela daqui de cima.
Eu dei aquele sorriso amarelo, querendo acreditar que era uma piada. E continuei tirando fotos.
Dali a uns 3 minutos, vimos um segurança do parque falar algumas palavras lá embaixo. Ele falava olhando pra cima, e se só tinha a gente lá no alto, era óbvio que era com a gente. Fácil essa dedução.
Eu não entendi nada. Primeiro porque ele falava aquele espanhol rápido, difícil de entender. Segundo porque estávamos a uma altura de uns 35 metros. Acho.
- Pai, o que ele tá falando?
- Hummm não sei.... Perai.... Ih Marina, ele tá mandando a gente descer.
- É...? Por quê....? Bem, vamos então, né?
Eu não sabia direito como começar a descer. A sensação de descer é quase sempre muito pior do que a de subir.
- Marina, desce de costas. Degrau por degrau, segurando essa corda de aço. E evita olhar lá pra baixo.
Respirei fundo umas 5 vezes e fui.
De repente, ouvi uns burburinhos vindos lá de baixo. Olhei rapidamente e tinham uns 100 turistas olhando pra mim e pro meu pai, que também estava descendo mas mais em cima. Todos, sem exceção, eram japoneses. Eu não entendia uma palavra do que eles falavam, mas estava claro que tínhamos virado a atração do momento.
Mal cheguei em terra firme e vários deles vieram me pedir que ficasse ao lado da pirâmide. E haja foto. Acho que eu nunca ouvi tanta palavra junta sem entender nenhuma delas. A sensação era horrível porque, em vários momentos, eles estavam falando comigo e eu não entendia nada. A comunicação foi baseada na mímica e na dedução.
Em uns 30 segundos, meu pai estava do meu lado. O segurança veio falar conosco:
- Vocês não viram a placa ao lado da ruína? - disse ele em espanhol.
Olhamos pro lado e lá estava:
"No subir. Peligro de colapso."
Meu pai pediu desculpas.
Eu fiquei quieta; já bastava o medo e a vergonha que eu estava sentindo.
Eu fiquei quieta; já bastava o medo e a vergonha que eu estava sentindo.
Depois de uns 5 minutos de conversa com o segurança, tentando amenizar a ideia brilhante que tivemos de subir em uma pirâmide com risco de desabamento, conseguimos sair da aglomeração local.
- Que mico, pai. Vambora....
Um dos turistas japa veio atrás da gente e estendeu o braço na minha direção. Na mão dele tinha uma foto. Pela dedução, eu entendi que ele queria me dar a foto. Peguei e abaixei a cabeça numa menção de agradecimento.
Quando olhei a foto, era eu. Descendo a Kukulcán.
Há 17 anos, era o boom da Polaroid e, dela, nasceu a prova de toda essa história que estou contando a vocês. Taí.
obs: Mãe, você só ficou sabendo desse fato agora. Mas, olha, eu tô bem! Vivinha! Isso tem 17 anos!
terça-feira, 8 de abril de 2014
E o avião da Malásia?
Eu já contei pra vocês que eu e minha mãe adoramos assuntos polêmico, né?
Pois então, como se pode imaginar, o sumiço do avião da Malásia rendeu muitas discussões entre Rio e São Paulo.
- Que coisa, né, Marina… Como esse avião sumiu?
- Pois é, mãe. Eu sinceramente não sei. Tá muito estranha essa história.
- Agora você viu que falaram que um pais lá detectou um avião desconhecido no seu espaço aéreo?
- Vi….
- Onde já se viu… Como assim um avião desconhecido? Não pode um avião ser desconhecido, gente, com tanta tecnologia…
- Ah, mãe, sei lá, quando um avião passa num espaço aéreo que não é planejado, ele não deve ser reconhecido pelo pais.
- Mas, Marina, ele tem que ser conhecido de alguém... Pelo amor de Deus... E os controladores de vôo? Deviam estar dormindo, né? Que absurdo!
- Eu também acho tudo muito estranho, mãe.
- Quer saber, esse avião caiu é no mar e todo mundo foi comido por tubarão…
- Mas, mãe, eram 300 pessoas… E a estrutura do avião…? E as malas? Nada ficou?
- Ué, então, o avião caiu de bico e se enterrou!
- Bem, eu não sei… Será que é possível?
- Ahhhhh Marina, você só diz que não sabe, que não sabe… Que coisa chata. Olha o seu Ulisses… Caiu de helicóptero com a mulher. Acharam todo mundo menos ele. Vai ver tá junto com todo mundo desse vôo na barriga de um tubarão.
Até hoje a gente discute os possíveis destinos do avião. E o mistério continua…
Eu já tô quase preferindo acreditar na versão do tubarão…quarta-feira, 26 de março de 2014
Um Skype nas nossas vidas
Depois de anos, minha mãe resolveu usar o Skype novamente. Ela tem um cadastro junto com meu padrasto, mas queria justamente falar com ele. Então expliquei que ela teria que ter um novo cadastro; apenas dela. Assim, ela no Rio falaria com meu padrasto em Juiz de Fora.
- Mãe, baixou o Skype, né?
- Sim…
- Então vamos lá. Por etapas.
- Aqui tá assim: Vc já usou o skype? Marco que sim, né?
- Naaaaao! Claro que não! Você quer um login novo…
- Ah é? Pode mentir a vontade?! Então tá bem..... Nome do Skype?
- Coloca nancicherfen.
- Ahhhhh Marina.... Tem que ser esse?!
- Ué, mãe, você quer colocar o quê?!
- Ahhhh Marina.... Que saco.... Eu vou pensar.... Deixa eu pensar… Não quero esse. Meu nome e sobrenome. Que coisa sem graça!
- Ué, mãe?! Vc quer entrar desfarçada?! Não to entendendo...
- Você é uma chata. Tá bom: nancicherfen. E agora?
- Agora segue as instruções que ele te dá…
- Ai que saco, gente... É nome de Skype, agora senha... Ó! Ele não tá aceitando a minha senha... Ah Meu Deus…
Eu só consegui rir.
- Marina, chega, tá?
- Mãe, eu não fiz nada!!!!
- Chega, chega, chega.
- Mãe, EU vou fazer um cadastro pra vc e te falo. Pronto.
- Tá, tchau. E bateu com telefone. Irritada.
Liguei 5 minutos depois:
- Pronto. Login feito. Nancicherfen e senha tal.
- Saco…. Deixa que EU entro e EU configuro.
- OK, mãe…
- Te ligo pelo Skype quando terminar. Fica online…
- Ok, mãe.
Depois de mais uns 5 minutos, o Skype toca.
- Oi, mãaaaae!
- ALÔ…..
A voz que falava do outro lado era grossa, muito grossa.
- Mãe?
- Oi, Marina…. Fala!
- Mãe, é você?
Eu estava realmente assustada.
- Marina, para de palhaçada…. Sou eu, pô!
Eu ria tanto, que não consegui falar mais uma palavra. Ela ficou irritadíssima.
- Marina, vou desligar. Que palhaçada…
- Mãe, sua voz tá grossa… tipo de homem…
- Ah Marina… Não vem de palhaçada…..
- Mãe, juro! Sleyman pode confirmar aqui.
- Tá sim, Nanci. - Rindo muito.
- Ahhhh Sleyman, agora você resolveu entrar na da Marina…?
Eu mal conseguia falar, porque era a minha mãe com a voz de um homem.
Implorei pra ela cantar “Batatinha quando nasce” pra eu gravar a voz grossa e ela ouvir depois.
Ela irritadíssima cantou. E no final disse: “….e a Marina quando começa é um sacão.”
Liguei, mostrei pra ela. Ela ainda achou que era armação minha. Só depois que falou com meu padrasto que acreditou. E ainda disse que EU tinha feito aquilo.
Até hoje não usamos mais o Skype. Eu ia colocar a gravação aqui no blog, mas ela me fez jurar que não faria isso. Então, vocês terão que ficar apenas com a imaginação… Mas podem imaginar algo muito engraçado.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Bora no Subway!
Em 2010 eu e minha grande amiga/irmã, Priscila Neves, viajamos para Nova Iorque. Uma amiga nossa estava morando lá e resolvemos visitar ela e a cidade.
Viajar com amigos é uma das coisas mais prazerosas do mundo. Mas é importante viajar com alguém compatível com você. Minha avó sempre falava que você vê se a pessoa combina com você quando você viaja com ela. Eu e Priscila já sabíamos que a gente combinava. Somos amigas desde os 7 anos, e Priscila é uma irmã.
NY é um sonho. Eu amo aquela cidade. Lá acontece de tudo, e nada é incomum. Pessoas de todos os tipos convivem de forma tão caótica, que chega a ficar harmônica. NY é harmoniosamente caótica. E, dentro do seu caos, ela funciona bem.
A viagem foi maravilhosa. Passeamos, fizemos piquenique no Central Park, fomos a museus e, claro, compramos muito. Nova Iorque é uma cidade super democrática nesse ponto; permite que você faça todos os tipo de programa. Mas claro, duas amigas juntas em NY, um dos principais focos era compras.
A gente andava, andava, andava. O dia inteiro. Era metrô e pé no chão. Geralmente a gente saía pra jantar com nossa amiga que morava lá. À noite, era sempre um lugar bacaninha, indicado pela nossa amiga, que conhece NY como a palma da mão.
De dia, a gente almoçava onde desse. Algumas vezes, acabávamos comendo um sanduíche no Subway. Barato, gostosinho e rápido. Sim, em NY, tempo é dinheiro. No caso, menos dinheiro. Mas faz parte.
Pri tinha vergonha de falar inglês lá. Bobeira, porque falava bem e todo mundo entendia. Mas, vergonha é algo que não se resolve com argumentos. Então, quando ela queria saber algo, ela pedia pra eu perguntar. Isso rolou até o quarto dia. Depois, ela viu que era bobeira e começou a mandar ver no inglês.
Num dos vários dias que fomos a Victoria Secret’s, optamos por falar inglês entre si. Por quê? Olha, eu achava que era exagero. Mas não é. As brasileiras são hilárias quando estão na Victoria Secrets. Elas vêem aqueles cremes que no Brasil custam 70 reais por 20 dólares 3 unidades, e PIRAM. Grita, chama a mãe, as amigas…. Tudo num decibéis altíssimo. Aí sim, uma coisa digna de vergonha. Vergonha alheira, ainda bem.
Eu e Pri também ficamos super empolgadas, mas mantivemos a calma e falávamos em inglês.
Chegou a hora de pagar. Eu tinha feito aquele cartão Visa pré pago, e não quis habilitar o cartão de crédito porque achava que o dinheiro do débito era mais que suficiente.
Cheguei no caixa, passei todas as minhas coisas e dei o cartão pro funcionário da loja. Ele passou e me pediu a senha:
- Please, password.
Digitei, dei ok e continuei meu papo com a Priscila.
- Lady, the card was declined.
- What….?
- You don’t have credit enough.
- Sorry…. What…?
Depois da quarta sequência de perguntas e respostas desse tipo, Priscila se irritou:
- Chê!!! Você não entendeu?! Tá sem crédito!!!!!
Na hora me bateu um desespero gigante. Falei que não ia levar metade das coisas, mas Priscila me convenceu a levar e analisar a situação em casa. Eu paguei com o resto de dinheiro que eu levei na mão, e fomos embora.
Saímos da loja mudas. Ela também teve um choque ao ver sua situação do cartão. Mas ela estava com cartão de crédito, que te dá aquela pseudo sensação de controle. Seu dinheiro não acaba.
- Chê, não fica assim…. Eu também tô mal de cabeça…
- Priscila, eu trouxe esse dinheiro pra 11 dias de viagem. Como acaba no quarto? Gente, meu Deus, meu pai vai morrer de desgosto…
Nós duas ficamos super mal de cabeça. Chegamos a pensar em adiantar o vôo de volta para resolver aquela questão. Nem quisemos sair pra jantar fora. Lanchamos com coisas que tínhamos comprado no mercado.
A gente tinha comprado um cartão para ligar pro Brasil. A gente usava, usava e o cartão não acabava. Acho que ele não tinha fim porque saímos e deixamos muito crédito pra nossa amiga lá.
Nesse dia do choque de compras, eu resolvi ligar pro meu pai. Sabia que a probabilidade de eu ouvir uma repreensão era imensa, mas eu queria falar com ele. Parecia que eu tinha traído meu pai…
Eu tinha ido a NY com meu pai em 2000. Lembro exatamente que levei 1.000 dólares e voltei com 400. Não sei como, mas lembro bem disso. De repente, eu estava de novo naquela cidade e, no quarto dia, eu tinha exterminado muito mais que os 1.000 dólares que eu tinha levado
.
Eu tinha ido a NY com meu pai em 2000. Lembro exatamente que levei 1.000 dólares e voltei com 400. Não sei como, mas lembro bem disso. De repente, eu estava de novo naquela cidade e, no quarto dia, eu tinha exterminado muito mais que os 1.000 dólares que eu tinha levado
.
Respirei fundo e liguei. Pasmem vocês, meu pai conseguiu me convencer a ficar todos os dias planejados, e a relaxar.
- A gente trabalha pra isso, minha filha. Quando voltar, você vê como resolve.
Certamente ele me falou isso com certo incômodo. Meu pai é sociólogo, de esquerda, totalmente averso a essa consumismo de hoje. Mas, ele foi um paizão. Me ajudou psicologicamente quando precisei. As palavras dele, sem dúvida nenhuma, me fizem mais sentido que 10 sessões de terapia.
Quando desliguei com ele, eu era outra pessoa. Eu e Pri sentamos e traçamos um “plano” pensando em aproveitar mais a cidade e comprar menos. E é, claro, os almoços agora só no Subway.
No dia seguinte, fomos ao MOMA (que é o museu que mais curto em NY) e no Empire State. Tava bem frio, apesar de ser Maio. Os dias oscilavam bastante entre calor e friozinho. Esse foi o dia mais frio que pegamos lá.
Pois bem, descemos do Empire State loucas de fome, querendo achar um Subway pra comer. Por uma questão de logística, resolvemos ir pro Time Square. A gente comeria e depois ficaríamos por alí. Acho que era dia do “Mamma Mia”.
Pegamos o metrô com destino ao Time Square. Estava tudo planejado na nossa cabeça: “Vamos comer naquele Subway lindinho que tem lá, e depois vamos pro musical”.
A gente tinha visto esse Subway quando estávamos chegando a NY, no táxi que nos levou do aeroporto a casa da nossa amiga. Toda a iluminação e o tamanho da lanchonete chamou a nossa atenção. E, como em alguns dias íamos a Subways bem “pobrezinhos”, a gente foi todas animadas pra lá!
- Vamos comer sanduíche mas pelo o menos num lugar mais legal!
Chegamos. Ficamos procurando o subway desesperadamente. A fome era imensa, e a pressa grande.
Olhávamos, procurávamos, andávamos e, nada.
- Cara, foi aqui que a gente viu, não foi, Pri?
- Foi. Tenho certeza. Sou boa nisso.
Essa afirmação da Priscila é totalmente discutível, mas isso fica pra um próximo post. Esse já está ficando grande demais.
- Ué, gente… Cadê????
De repente, eu olho pra um lado que ainda não tinha “explorado” e vi: SUBWAY. Bem grande. Todo aceso! Luzes piscando! Lindo!
- Láaaaaaaa, Pri!!!
- Aiiii que bom! É lá mesmo. Vamos!
A gente estava um pouco longe. Fomos andando, conversando, até que chegamos a uns 50 metros da lanchonete. Ou melhor…
Enfim, estávamos lá. Bastava o sinal de pedestres abrir para atravessarmos a rua, e matarmos quem estava nos matando. #soquenao
Ficamos paralisadas olhando a fachada do Subway durante uns 2 minutos. Sem uma única palavra.
Eu olhei pra Priscila, Priscila olhou pra mim, e caímos numa gargalhada sem fim. Daquelas que dói a barriga.
O nosso lindo e esperado Subway era a estação de metrô do Times Square!!!!!!!
Maldito lugar que faz uma lanchonete com nome de metrô. Ficamos ali, morrendo de rir por mais uns 10 minutos. A gente parava, olhava pro painel SUBWAY iluminado, e caía na gargalhada. Até hoje essa história rende boas gargalhas.
Priscila teve vergonha dessa história até poucos tempo atrás, quando entendeu que certas situações precisam ser compartilhadas. É de utilidade pública.
Acabamos indo numa rua lateral do Times Square, e comendo no pior Subway da viagem toda. Mas, era tanta gargalhada, que nem ligamos pro lugar.
Ahhhhh que saudade dessa viagem, amiga.
| Foto em homenagem a Pri, tirada quando eu voltei a NY em 2012. |
terça-feira, 11 de março de 2014
Caralh...inho!
Hoje o post é sobre mim.... Vou dar um descanso (breve) para meus pais...
Pois bem, quando eu tinha 5 anos, fui almoçar com meu pai ali no Baixo Gávea. A gente morava no bairro, mais lá pra cima, e vivíamos ali pelo BG...
Eu não lembro se o Braseiro era o Braseiro, se o Hipódromo era o Hipódromo, mas estávamos sempre por ali.
Era um domingo e eu sentei pra almoçar com o meu pai. Cena super normal prum dia de família, onde a maioria das mesas tinham pais e crianças.
- Boa tarde. O que vocês vão querer pedir?
- Hum.... Um bife acebolado, arroz, batata frita....
Meu pai sempre pedia bife acebolado. Até hoje quando a gente vai a esse tipo de bar é a pedida dele. AMA. E eu amo por tabela...
Mas aquele dia, eu queria outra coisa:
- Marina, e você, vai comer com o papai?
- Não........
O garçom, fofo, perguntou:
- O que você vai querer, gatinha?
- Bife com caralhinho.
Ooooooooi?! Sim, é isso mesmo que você leu: CARALHINHO!
Meu pai, totalmente sem saber o que dizer...
- Marina, minha filha.... O que é isso?
- Bife com caralhinho, bife com caralhinho.
E esbocei um choro de quem não estava sendo compreendida.
Acho que foi uma das únicas vezes que vi meu pai sem graça.
O garçom olhava pra ele..... Ele olhava pra mim... e eu só repetia:
- Bife com caralhinho.
- Mas, minha filha, o que é isso? Papai não está entendendo.....
Claro, eu não sabia explicar. Pra mim estava claríssimo... Como eles não estavam entendendo?!
- Minha filha, papai não sabe o que é isso....
- O senhor não sabe mesmo, senhor?
- Não, meu amigo.... Nem imagino.... Nem sei daonde ela tirou isso...
Eis que me passa uma travessa com um bifão acebolado cheio de alho frito....
- CARALHINHOOOOOOOOO...
Eu apontei gritando, feliz e batendo palma.
- Minha filha! Isso é alho frito! Quem te disse que era caralinho?!
- É caralhinho, pai! É ca-ra-lhi-nho.
O garçom olhou pro meu pai, me olhou e anotou no papel o pedido. Sabe-se lá como ele anotou.... Mas veio certo.
Antes de sair, ele olhou pro meu pai e perguntou:
- Quantos anos ela tem?
- Cinco.
- É, meu senhor, se está assim nessa idade, imagina quando crescer?!?
Sem dizer uma palavra, meu pai me pegou pela mão e fomos embora.
A coisa que um pai de menina mais odeia é pensar na sua filhinha na vida adulta, com todos as vivências que o crescer propicia.
Até hoje eu frequento o Baixo Gávea. Sempre que estou por lá, fico pensando se é possível o garçom ainda trabalhar ali... E se ele seria capaz de me reconhecer... Creio e espero que não. Sinceramente.
![]() |
| Eu e papai no apartamento da Gávea. Eu aos 5 anos. |
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